Mateus 27

Almeida Antiga - IBC

Jesus perante Pilatos
1 E, chegada a manhã, todos os principais sacerdotes e os anciãos do povo entraram em conselho contra Jesus, para o matarem;
2 e, tendo-o amarrado, levaram-no e o entregaram a Pôncio Pilatos, o governador.
3 Então Judas, o que o havia traído, vendo que ele fora condenado, se arrependeu e devolveu as trinta moedas de prata aos principais sacerdotes e anciãos,
4 dizendo: Pequei, traindo o sangue inocente. E eles disseram: Que nos importa? Isso é contigo.
5 E, tendo lançado no templo as moedas de prata, ele se retirou, e, saindo, se enforcou.
6 E os principais sacerdotes tomaram as moedas de prata e disseram: Não é lícito colocá-las no cofre das ofertas, porque é preço de sangue.
7 E, tomando conselho, compraram com elas o campo do oleiro, para cemitério de estrangeiros.
8 Por isso, aquele campo tem sido chamado Campo de Sangue, até o dia de hoje.
9 Cumpriu-se, então, o que foi dito pelo profeta Jeremias: E tomaram as trinta moedas de prata, preço daquele que foi avaliado, a quem alguns dos filhos de Israel avaliaram,
10 e as deram pelo campo do oleiro, assim como me ordenou o Senhor.
11 E Jesus esteve perante o governador; e o governador o interrogou, dizendo: És tu o rei dos judeus? E disse-lhe Jesus: Tu dizes.
12 E, sendo acusado pelos principais sacerdotes e anciãos, nada respondeu.
13 Disse-lhe, então, Pilatos: Não ouves quantas coisas testificam eles contra ti?
14 E ele não lhe respondeu uma palavra sequer; de modo que o governador muito se admirou.
15 Ora, por ocasião da festa, o governador costumava soltar um dos presos para o povo, a quem quisessem.
16 E tinham, então, um preso bem conhecido, chamado Barrabás.
17 Portanto, tendo eles se reunindo, disse-lhes Pilatos: A quem quereis que eu vos solte? Barrabás, ou Jesus, chamado Cristo?
18 Pois sabia que por inveja o haviam entregado.
19 E estando ele assentado no tribunal, sua mulher mandou dizer-lhe: Não te envolvas com aquele justo, porque, hoje, muito sofri em um sonho por causa dele.
20 Mas os principais sacerdotes e anciãos persuadiram a multidão a que pedissem Barrabás, e destruíssem a Jesus.
21 O governador, pois, perguntou-lhes: Qual dos dois quereis que eu vos solte? E disseram: Barrabás.
22 Tornou-lhes Pilatos: Que farei então de Jesus, chamado Cristo? Disseram-lhe todos: Seja crucificado.
23 E o governador disse: Mas que mal fez ele? Porém, eles clamavam ainda mais, dizendo: Seja crucificado!
24 Vendo Pilatos que nada conseguia, antes, pelo contrário, que o tumulto aumentava, pegou água e lavou as mãos diante da multidão, dizendo: Sou inocente do sangue deste Justo; vede-o vós.
25 E respondendo todo o povo, disse: O seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos.
26 Então, soltou para eles a Barrabás; e, havendo açoitado a Jesus, o entregou para ser crucificado.
27 Então os soldados do governador levaram Jesus ao pretório, e reuniram em torno dele toda a coorte.
28 E, despindo-o, cobriram-no com um manto escarlate.
29 E, tecendo uma coroa de espinhos, a colocaram sobre a cabeça dele, e em sua mão direita um caniço. E ajoelhando-se diante dele, o escarneciam, dizendo: Salve, rei dos judeus!
30 E, cuspindo nele, tomaram o caniço, e batiam na cabeça dele.
31 E depois de o terem escarnecido, despiram-lhe o manto, e o vestiram com as suas próprias vestes, e o levaram para ser crucificado.

Jesus crucificado

32 Ao saírem, encontraram um homem cireneu, chamado Simão; a este obrigaram a que levasse sua cruz.
33 Quando chegaram a um lugar chamado Gólgota, que quer dizer, lugar da Caveira,
34 deram-lhe a beber vinagre misturado com fel; mas ele, provando-o, não o quis beber.
35 E, depois de o crucificarem, repartiram as suas vestes, lançando sortes, para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta: Repartiram entre si as minhas vestes, e sobre a minha túnica lançaram sortes.
36 E, assentando-se, o guardavam ali.
37 E puseram por cima da sua cabeça a sua acusação escrita: ESTE É JESUS, O REI DOS JUDEUS.
38 E foram crucificados com ele dois ladrões, um à direita, e outro à esquerda.
39 E os que iam passando blasfemavam dele, meneando a cabeça
40 e dizendo: Tu, que destróis o templo e em três dias o edificas, salva-te a ti mesmo. Se és Filho de Deus, desce da cruz.
41 De igual modo também os principais sacerdotes, com os escribas e anciãos, escarnecendo, diziam:
42 Salvou os outros; a si mesmo não se pode salvar. Se ele é o Rei de Israel, desça agora da cruz, e creremos nele.
43 Ele confiou em Deus; livre-o, pois, agora, se ele lhe quer bem; pois disse: Sou Filho de Deus.
44 O mesmo lhe lançaram em rosto também os ladrões que com ele foram crucificados.
45 E, desde a hora sexta, houve trevas sobre toda a terra, até a hora nona.
46 E por volta da hora nona Jesus clamou em alta voz, dizendo: ELI, ELI, LAMÁ SABACTANI; isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?
47 Alguns dos que ali estavam, ouvindo isso, disseram: Este chama por Elias.
48 E logo um deles correu e pegou uma esponja, encheu-a de vinagre e, pondo-a num caniço, deu-lhe a beber.
49 Os outros, porém, disseram: Deixa, vejamos se Elias vem salvá-lo.
50 E Jesus, clamando outra vez com grande voz, entregou o espírito.
51 E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; a terra tremeu, as pedras se fenderam;
52 e os sepulcros se abriram. E muitos corpos dos santos que dormiam ressuscitaram
53 e, saindo dos sepulcros após a ressurreição dele, entraram na cidade santa e apareceram a muitos.
54 E o centurião, e os que com ele guardavam a Jesus, vendo o terremoto e as coisas que haviam se passado, temeram grandemente, dizendo: Verdadeiramente este era o Filho de Deus.
55 E muitas mulheres estavam ali, olhando de longe, que haviam seguido Jesus desde a Galileia para o servirem,
56 entre as quais estavam Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu.

O corpo de Jesus posto em um sepulcro

57 E chegada a tarde, veio um homem rico de Arimateia, chamado José, que também era discípulo de Jesus.
58 Este foi a Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Então Pilatos ordenou que o corpo fosse entregue.
59 E José, tomando o corpo, envolveu-o num pano limpo de linho,
60 e o colocou no seu sepulcro novo, que havia aberto na rocha; e, rolando uma grande pedra para a porta do sepulcro, retirou-se.
61 E achavam-se ali Maria Madalena e a outra Maria, sentadas defronte do sepulcro.
62 No dia seguinte, que é depois do dia da preparação, reuniram-se os principais sacerdotes e os fariseus perante Pilatos,
63 e disseram: Senhor, lembramo-nos de que aquele enganador, quando ainda vivo, disse: Depois de três dias ressuscitarei.
64 Manda, pois, que o sepulcro seja guardado com segurança até o terceiro dia; para não suceder que os seus discípulos venham de noite e o roubem, e digam ao povo: Ele ressuscitou dos mortos; e assim o último engano será pior do que o primeiro.
65 Disse-lhes Pilatos: Tendes uma guarda; ide, tornai-o tão seguro quanto puderdes.
66 Foram, pois, e tornaram seguro o sepulcro com a guarda, selando a pedra.

Referências Cruzadas

1 Sl 2:2; Mc 15:1; Lc 22:66; Lc 23:1; Jo 18:28
2 Mt 20:19; At 3:13
3 Mt 26:14; Mt 26:15
5 2Sm 17:23; At 1:18
6 Mc 7:11; Jo 18:28
8 At 1:19
9 Zc 11:12; Zc 11:13
11 Mc 15:2; Lc 23:3; Jo 18:33; Jo 18:37; 1Tm 6:13
12 Mt 26:63; Jo 19:9
13 Mt 26:62; Jo 19:10
15 Mc 15:6; Lc 23:17; Jo 18:39
20 Mc 15:11; Lc 23:18; Jo 18:40; At 3:14
24 Dt 21:6
25 Dt 19:10; Js 2:19; 2Sm 1:16; 1Rs 2:32; At 5:28
26 Is 53:5; Mc 15:15; Lc 23:16; Lc 23:24; Lc 23:25; Jo 19:1; Jo 19:16
27 Mc 15:16; Jo 19:2
28 Lc 23:11
29 Sl 69:19; Is 53:3
30 Is 50:6; Mt 26:67
31 Is 53:7
32 Nm 15:35; 1Rs 21:13; At 7:58; Hb 13:12; Mc 15:21; Lc 23:26
33 Mc 15:22; Lc 23:33; Jo 19:17
34 Mt 27:48; Sl 69:21
35 Mc 15:24; Lc 23:34; Jo 19:24; Sl 22:18
36 Mt 27:54
37 Mc 15:26; Lc 23:38; Jo 19:19
38 Is 53:12; Mc 15:27; Lc 23:32; Lc 23:33; Jo 19:18
39 Sl 22:7; Sl 109:25; Mc 15:29; Lc 23:35
40 Mt 26:61; Jo 2:19; Mt 26:63
43 Sl 22:8
44 Mc 15:32; Lc 23:39
45 Am 8:9; Mc 15:33; Lc 23:44; Mc 15:25
46 Hb 5:7; Sl 22:1
48 Sl 69:21; Mc 15:36; Lc 23:36; Jo 19:29
50 Mc 15:37; Lc 23:46
51 Ex 26:31; 2Cr 3:14; Mc 15:38; Lc 23:45
54 Mt 27:36; Mc 15:39; Lc 23:47
55 Lc 8:2; Lc 8:3
56 Mc 15:40
57 Mc 15:42; Lc 23:50; Jo 19:38
60 Is 53:9
63 Mt 16:21; Mt 17:23; Mt 20:19; Mt 26:61; Mc 8:31; Mc 10:34; Lc 9:22; Lc 18:33; Lc 24:6; Lc 24:7; Jo 2:19
66 Dn 6:17

14 A sugestão de Satanás a Pilatos. Satanás e seus anjos tentavam Pilatos e procuravam conduzi-lo à sua própria ruína. Sugeriram-lhe que, se não tomasse parte na condenação de Jesus, outros o fariam (VA 200.2).
15-26 Um símbolo dos últimos dias. A cena ocorrida na sala de julgamento em Jerusalém é um símbolo do que ocorrerá nas cenas finais da história da Terra. O mundo aceitará a Cristo, a verdade, ou aceitará Satanás, o primeiro grande rebelde, ladrão, apóstata e homicida. Ou rejeitarão a mensagem de misericórdia acerca dos mandamentos de Deus e à fé de Jesus, ou aceitarão a verdade como ela é em Jesus. Caso aceitem Satanás e suas mentiras, se identificarão com o líder de todos os mentirosos e com todos os que são desleais, dando as costas a um personagem que não é nada menos do que o Filho do infinito Deus (RH, 30/01/1900).
Uma questão de escolha. Quando Jesus esteve na Terra, Satanás levou as pessoas a rejeitarem o Filho de Deus e escolherem Barrabás, que no caráter representava a Satanás, o deus deste mundo.
O Senhor Jesus Cristo veio para questionar a usurpação dos reinos do mundo por parte de Satanás. O conflito ainda não terminou e, ao nos aproximarmos do fim do tempo, a batalha se torna mais intensa. Ao aproximar-se o segundo aparecimento de nosso Senhor Jesus Cristo, instrumentos satânicos são movidos por um poder de baixo. Não só aparecerá Satanás como ser humano, mas personificará a Jesus Cristo, e o mundo que rejeitou a verdade o receberá como o senhor dos senhores e rei dos reis. Exercerá seu poder e atuará sobre a imaginação humana. Corromperá a mente e o corpo das pessoas e operará mediante os filhos da desobediência, fascinando e seduzindo, como o faz uma serpente. Que espetáculo será o mundo para os seres celestiais!
Que espetáculo contemplará Deus, o criador do mundo!
A forma que Satanás assumiu no Éden para levar nossos primeiros pais a transgredir foi de natureza a desnortear e confundir a mente. Ele trabalhará de maneira igualmente sutil ao nos aproximarmos do fim da história terrestre. Todo o seu poder enganador será posto em ação para completar a obra de iludir a família humana. Tão enganadora será sua atuação, que as pessoas agirão como nos dias de Cristo, e ao se perguntar a elas: “A quem quereis que eu vos solte, a Barrabás ou a Jesus, chamado Cristo?” o clamor quase universal será: “Barrabás, Barrabás!” E quando se fizer a pergunta: “Que farei, então, deste a quem chamais o Rei dos Judeus?” (Mc 15:12), o clamor novamente será: “Seja crucificado!” (CT [MM 2002], 274).
Cristo será representado na pessoa daqueles que aceitarem a verdade e que identificarem seus interesses com os de seu Senhor. O mundo ficará irado contra eles da mesma forma que se irou contra Cristo, e os discípulos de Cristo saberão que não serão mais bem tratados do que seu Senhor. Mas Cristo, certamente, identificará Seus interesses com os daqueles que O aceitarem como seu Salvador pessoal. Todo insulto, todo vitupério, toda falsa acusação feita contra eles por aqueles que se recusaram a dar ouvidos à verdade e se entregaram às fábulas, será cobrado dos culpados como tendo sido feito a Cristo na pessoa de Seus santos (RH, 14/04/1896).
Quando Cristo estava na Terra, o mundo preferiu Barrabás. E hoje o mundo e as igrejas estão fazendo a mesma escolha. As cenas da traição, da rejeição e da crucifixão de Cristo têm-se repetido e voltarão a se repetir em escala imensa. Pessoas ficarão cheias dos atributos do inimigo, e os enganos dele terão grande poder sobre elas. Exatamente no grau em que a luz for rejeitada, haverá concepções e interpretações errôneas. Os que rejeitam a Cristo e escolhem Barrabás trabalham sob um engano fatal. A perversão dos fatos e o falso testemunho se transformarão em rebelião aberta. Os olhos serão maus e todo o corpo ficará em trevas. Aqueles que entregarem suas afeições a qualquer líder, em vez de a Cristo, se verão de corpo, alma e espírito sob o controle de uma paixão cega tão enfeitiçante que, sob seu poder, as pessoas se desviam de ouvir a verdade para darem crédito à mentira. São apanhadas na armadilha e ficam presas, e por todos os seus atos gritam: “Solta-nos Barrabás e crucifica a Cristo!”
Hoje mesmo, essa decisão está sendo tomada. As cenas que ocorreram junto à cruz estão se repetindo. Nas igrejas que se apartaram da verdade e da justiça está sendo revelado o que a natureza humana pode fazer e fará quando o amor de Deus não for um princípio permanente na vida. Não precisamos nos surpreender com nada que possa ocorrer agora. Não precisamos nos maravilhar com nenhum acontecimento de horror. Os que pisam com seus pés profanos a lei de Deus têm o mesmo espírito que as pessoas que insultaram e traíram Jesus. Sem qualquer sentimento de culpa, cometerão os atos de seu pai, o diabo. Farão a pergunta que veio dos lábios traidores de Judas: Que me quereis dar, e eu trairei Jesus, o Cristo? Hoje mesmo Cristo está sendo traído na pessoa de Seus santos.
Em vista da história da vida e da morte de Cristo, podemos nos surpreender de que o mundo seja falso e insincero? Podemos em nossos dias confiar no ser humano, ou fazer da carne mortal o nosso braço? Não escolheremos a Cristo como nosso líder? Somente Ele pode nos salvar do pecado.
Quando o mundo afinal for levado a julgamento diante do grande trono branco para responder por sua rejeição a Jesus Cristo, o mensageiro do próprio Deus ao mundo, quão solene será essa cena! Que ajuste de contas terá de ser feito por ser pregado na cruz Aquele que veio ao nosso mundo como uma carta viva da lei! Deus fará a cada um a pergunta: “O que você fez do Meu Filho unigênito?” O que responderão aqueles que recusaram a aceitar a verdade? Serão obrigados a dizer: “Odiamos a Jesus e O lançado fora. Gritamos: Crucifica-O! Crucifica-O! Escolhemos Barrabás em Seu lugar.” Se aqueles a quem for apresentada a luz do Céu a rejeitarem, estarão rejeitando a Cristo. Estarão rejeitando a única provisão pela qual podem ser purificados da impureza. De novo estarão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-O à ignomínia. Ser-lhes-á dito: “Nunca vos conheci. Apartai-vos de Mim.” Deus certamente vingará a morte de Seu Filho (RH, 30/01/1900).
19 O sonho dela. Mesmo então Pilatos não foi deixado a agir às cegas. Uma mensagem de Deus o advertiu do que estava para cometer. Em resposta às orações de Cristo, a esposa de Pilatos foi visitada por um anjo do Céu, e vira em sonho o Salvador, e com Ele conversara. … Contemplou-O em julgamento no tribunal. Viu-Lhe as mãos firmemente ligadas como as de um criminoso. Viu Herodes e seus soldados praticando sua terrível ação. Ouviu os sacerdotes e príncipes, cheios de inveja e perversidade, acusando furiosamente. Ouviu as palavras: “Nós temos uma lei, e, segundo a nossa lei, deve morrer.”
Viu Pilatos entregar Jesus aos açoites, depois de haver declarado: “Não acho nEle crime algum.” Ouviu a condenação pronunciada por Pilatos, e viu-o entregar Cristo a Seus matadores. Viu a cruz erguida no Calvário. Viu a Terra envolta em trevas, e ouviu o misterioso brado: “Está consumado.” Ainda outra cena se lhe deparou ao olhar. Viu Cristo sentado sobre uma grande nuvem branca, enquanto a Terra vacilava no espaço, e Seus assassinos fugiam da presença de Sua glória. Com um grito de terror despertou ela, e escreveu imediatamente a Pilatos palavras de advertência (VA 200.4).

21 Ver Ellen G. White sobre Rm 3:19.
21, 22, 29 Dois tipos de coroa. Do lado de quem estamos? O mundo lançou fora a Cristo; os Céus O receberam. O ser humano finito rejeitou o Príncipe da vida; Deus, nosso Legislador Soberano, recebeu-O nos Céus. Deus O exaltou. O homem O coroou com uma coroa de espinhos; Deus O coroou com uma coroa de real majestade. Todos devemos pensar honestamente: Queremos que este Homem, Cristo Jesus, reine sobre nós, ou queremos a Barrabás? A morte de Cristo traz sobre o que rejeita Sua misericórdia a ira e os juízos de Deus, sem mistura de misericórdia. Esta é a ira do Cordeiro. Mas a morte de Cristo é esperança e vida eterna a todos os que O recebem e nEle creem (TM, 139).
Sob a bandeira negra de Satanás. Cada filho e filha de Adão escolhe Cristo ou Barrabás como general. Todos os que se colocam do lado dos desleais estão sob a bandeira negra de Satanás e são acusados de rejeitar e maltratar a Cristo. São acusados de deliberadamente crucificar o Senhor da vida e da glória (RH, 30/01/1900).
22, 23 Uma cena representativa. A cena que transpirou em Jerusalém por ocasião da traição e da rejeição de Cristo representa a cena que ocorrerá na história futura do mundo, quando Cristo for finalmente rejeitado. O mundo religioso tomará o lado do primeiro grande rebelde e rejeitará a mensagem de misericórdia referente aos mandamentos de Deus e à fé em Jesus (Ms 40, 1897).
25, 26 Os anjos não podiam interferir. Espantem-se, ó Céus, e envergonhem-se para sempre, ó habitantes da Terra! Com tristeza e indignação os anjos ouviram a escolha feita pelo povo e a sentença dada a Cristo. Mas não podiam interferir, pois, no grande conflito entre o bem e o mal, Satanás precisava receber todas as oportunidades de desenvolver seu verdadeiro caráter, para que o universo celestial e a raça pela qual Cristo estava dando a vida pudessem ver a justiça dos propósitos de Deus. Os que estão sob o controle do inimigo precisam ter a chance de revelar os princípios do governo dele (Ms 136, 1899).
32 Um meio de conversão. A cruz que Simão foi forçado a carregar se tornou o meio de sua conversão. Suas simpatias foram profundamente despertadas em favor de Jesus. Os acontecimentos do Calvário e as palavras proferidas pelo Salvador fizeram com que reconhecesse ser Ele o Filho de Deus (FF [MM 2005/1956], 249).
33 Companhias de anjos. Colocaram sobre este a cruz e ele a conduziu ao lugar fatal. Companhias de anjos formavam-se nos ares sobre o lugar. […] Legiões de anjos maus estavam à Sua volta, ao passo que aos anjos santos foi ordenado que não rompessem fileiras e não se envolvessem em conflito com o inimigo que tentava e injuriava a Cristo (VA 201, 202).
37 Uma inscrição planejada. Vejam a inscrição feita sobre a cruz. O Senhor a planejou. Escrita em hebraico, grego e latim, é um chamado para que venham todos: os judeus e os gentios, os bárbaros e os citas, os escravos e os livres, os desesperançados, os desamparados e todos que estão a perecer. Cristo anulou o poder de Satanás. Ele agarrou as colunas do reino de Satanás e venceu o conflito, destruindo aquele que tem o poder da morte. Foi então aberto um caminho pelo qual a graça e a verdade puderam se encontrar, e a justiça e a paz, se beijar (Ms 111, 1897).
38 Cristo colocado com os criminosos. José e Nicodemos observaram todos os eventos por ocasião da condenação e da crucifixão de Cristo. Nenhum ato passou sem que o notassem. Esses homens eram diligentes pesquisadores das Escrituras e ficaram profundamente indignados quando viram este Homem, que os juízes haviam pronunciado como inteiramente inocente, colocado no centro, entre dois ladrões, “um de cada lado, e Jesus no meio”. Esta instrução havia sido dada pelos principais sacerdotes e dirigentes, para que, por Sua posição, todos pudessem pensar que Cristo era o mais infame dos três (Ms 103, 1897).
42 O espanto dos anjos. Foi espantoso para os anjos que Jesus não houvesse fechado com a morte os lábios dos escarnecedores (VA 202.1).
Ver Ellen G. White sobre Lc 24:13-15.
45 Terremoto e escuridão. A terra sacudiu-se diante da marcha dos exércitos do Céu. As rochas se partiram; durante três horas a Terra foi mergulhada em impenetrável escuridão; a Natureza, com seu manto escuro, ocultou os sofrimentos do Filho de Deus. O Pai, junto com Seus anjos, também Se escondeu na espessa escuridão (VA 203).
Por simpatia e para confirmação. As trevas que cobriram a natureza expressavam a simpatia desta por Cristo em Sua agonia de morte. Evidenciavam para a humanidade que o Sol da Justiça, a Luz do mundo, estava retirando Seus raios da outrora favorecida cidade de Jerusalém e do mundo. Foi um testemunho miraculoso dado por Deus, para que a fé das gerações posteriores pudesse ser confirmada (SP3, 167).
Deus e os anjos vestidos de trevas. A escura nuvem da transgressão humana se interpôs entre o Pai e o Filho. A interrupção da comunhão entre Deus e Seu Filho causou uma situação nas cortes celestiais que não pode ser descrita por linguagem humana. A natureza não pôde testemunhar uma cena tal como a de Cristo morrendo em agonia enquanto suportava a pena pela transgressão humana. Deus e os anjos se vestiram de trevas e esconderam o Salvador dos olhares da multidão curiosa enquanto Ele bebia as últimas gotas da taça da ira de Deus (Carta 139, 1898).

45, 46 As circunstâncias lançaram a semente. Grande convicção se apoderou de muitos por ocasião do julgamento de Cristo, quando as três horas de trevas envolveram a cruz sem qualquer causa natural, e quando foram proferidas as últimas frases: “Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?” “Está consumado”, “Nas Tuas mãos entrego o Meu espírito”. Essa convicção foi uma semente que amadureceu e produziu colheita quando, mais tarde, o evangelho foi ousadamente proclamado por Seus discípulos. O abalo da terra, o grito penetrante e a repentina morte que evocou o clamor em alta voz: “Está consumado” extraíram de muitos as palavras: “Verdadeiramente, este homem era justo”; “Verdadeiramente este era Filho de Deus”. Muitos que haviam zombado, caçoado e escarnecido do Filho de Deus, ficaram com terrível medo de que o tremor de terra e as rochas fendidas e incertas lhes pusesse fim à vida. Apressaram-se a sair da cena, batendo sobre o peito, tropeçando, caindo e temendo, apavorados, que a terra se abrisse e os tragasse. O véu do templo, rasgado de maneira tão misteriosa, mudou as ideias religiosas de muitos dos sacerdotes judeus, e um grande grupo mudou sua fé. Depois do dia de Pentecostes, lemos que “crescia a palavra de Deus, e, em Jerusalém, se multiplicava o número dos discípulos; também muitíssimos sacerdotes obedeciam à fé. Estêvão, cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo” (Ms 91, 1897).
O Pai sofreu com o Filho. Nas cenas que transpiraram na sala de julgamento e no Calvário, vemos do que o coração humano é capaz quando sob a influência de Satanás. Cristo Se submeteu à crucifixão, embora a hoste celestial pudesse tê-Lo livrado. Os anjos sofreram com Cristo. O próprio Deus foi crucificado com Cristo, pois Cristo era um com o Pai. Aqueles que rejeitam a Cristo e que não querem que este Homem reine sobre eles escolhem colocar-se sob o governo de Satanás, para fazer o trabalho dele como seus escravos. Contudo, Cristo entregou a vida por eles no Calvário (BE, 06/08/1894).
50. Satanás vencido pela natureza humana de Cristo. Quando Cristo inclinou a cabeça e morreu, trouxe consigo ao chão as colunas do reino de Satanás. Venceu Satanás na mesma natureza sobre a qual, no Éden, Satanás obtivera a vitória. O inimigo foi vencido por Cristo em Sua natureza humana. O poder da Divindade do Salvador estava oculto. Ele venceu na natureza humana, confiando em Deus, que Lhe supria o poder. Este é o privilégio de todos. Em proporção a nossa fé será nossa vitória (YI, 25/04/1901).
51 O propiciatório franqueado a todos. Cristo foi pregado na cruz entre a hora terceira e a hora sexta, isto é, entre nove e doze horas. A tarde, morreu. Aquela era a hora do sacrifício da tarde. Então o véu do templo que ocultava a glória de Deus dos olhos da congregação de Israel foi rasgado de alto a baixo.
Por meio de Cristo, a glória oculta do santo dos santos devia ser revelada. Ele sofrera a morte por todo ser humano, e por esta oferta os filhos dos homens deviam se tornar filhos de Deus. Com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, os crentes em Cristo seriam transformados, de glória em glória, na Sua própria imagem. O propiciatório, sobre o qual repousava a glória de Deus no santíssimo, é franqueado a todos os que aceitarem a Cristo como propiciação pelo pecado e, por Seu intermédio, eles são postos em companheirismo com Deus. O véu está rasgado, a parede de separação está derrubada, o escrito de dívida que constava de ordenanças está cancelado. Pela virtude de Seu sangue, a inimizade está abolida. Pela fé em Cristo, judeus e gentios podem partilhar do pão vivo (FF [MM 2005/1956], 228).
Israel, uma nação deserdada por Deus. Em Cristo a sombra encontrou a substância, o tipo encontrou seu antítipo. Bem podia Caifás rasgar seus trajes em horror por si mesmo e pela nação, pois eles estavam se separando de Deus e rapidamente se tornando um povo deserdado por Jeová. Certamente o candeeiro estava sendo removido de seu lugar (Ms 101, 1897).
Não foi a mão do sacerdote que rasgou de alto a baixo o formoso véu que separava o lugar santo do lugar santíssimo. Foi a mão de Deus. Quando Cristo exclamou: “Está consumado” (Jo 19:30), o santo Vigia que fora o hóspede invisível no banquete de Belsazar, declarou a nação judaica deserdada por Deus. A mesma mão que traçara sobre a parede os caracteres que registraram o destino de Belsazar e o fim do reino babilônico rasgou o véu do templo de alto a baixo, abrindo um novo e vivo caminho para todos, elevados e humildes, ricos e pobres, judeus e gentios. Daí em diante as pessoas podiam ir a Deus sem sacerdotes ou governantes (VA, 204; Ms 101, 1897).
A presença de Deus retirada do santuário terrestre. Ao rasgar o véu do templo, Deus estava dizendo: Não mais posso revelar Minha presença no lugar santíssimo. É oferecido a todos um novo e vivo Caminho, diante do qual não há nenhum véu. A pecaminosa e sofredora humanidade não mais precisa aguardar a vinda do sumo sacerdote.
O tipo encontrou o antítipo na morte do Filho de Deus. O Cordeiro de Deus havia sido oferecido como sacrifício. Foi como se uma voz tivesse dito aos adoradores: Chegaram agora ao fim todos os sacrifícios e ofertas” (YI, 21/06/1900).
Um novo caminho aberto para o caído. Quando Cristo bradou na cruz: “Está consumado”, o véu do templo se rasgou em duas partes. Este véu era significativo para a nação judaica. Era feito do mais caro material, de púrpura e ouro, e era de grande comprimento e espessura. No momento em que Cristo exalou o último suspiro, havia testemunhas no templo que contemplaram o forte e pesado material ser rasgado de alto a baixo por mãos invisíveis. Esse ato significava para o universo celestial e para o mundo corrompido pelo pecado, que se abrira à raça caída um novo e vivo Caminho, que todas as ofertas sacrificais terminaram na única e grande oferta do Filho de Deus. Aquele que havia até então habitado no templo feito por mãos, havia saído para nunca mais agraciá-lo com Sua presença (FV [MM 1959], 201; ST, 08/12/1898).
52, 53 Sacerdotes e autoridades souberam da ressurreição. Os cativos que saíram da sepultura por ocasião da ressurreição de Jesus constituíam Seus troféus como Príncipe vencedor. Dessa forma, Ele atestou Sua vitória sobre a morte e a sepultura; assim, deu um penhor e uma garantia da ressurreição de todos os justos mortos. Aqueles que foram chamados da sepultura entraram na cidade e apareceram a muitos em sua forma ressuscitada e testificaram que Jesus havia de fato ressurgido dos mortos e que eles haviam ressurgido com Ele. […]
Era bem conhecido pelos sacerdotes e autoridades que certas pessoas que estiveram mortas haviam ressuscitado com Jesus. Relatos autênticos lhes foram apresentados por diferentes pessoas que viram os ressuscitados, conversaram com eles e ouviram seu testemunho de que Jesus, o Príncipe da vida, a quem os sacerdotes e as autoridades haviam matado, ressurgira dos mortos (SP3, 223).
54 O sermão em atos. O que iluminara e convencera tanto aqueles homens a ponto de não poderem abster-se de confessar sua fé em Jesus? Fora o sermão transmitido por todos os atos de Cristo e por Seu silêncio sob cruéis maus-tratos. Em Seu julgamento, cada um parecia competir com o outro em tornar Sua humilhação o mais degradante possível. Mas Seu silêncio era eloquente. Naquele corpo lacerado, ferido e alquebrado, suspenso na cruz, o centurião reconheceu a forma do Filho de Deus (CT [MM 2002], 285; Ms 115, 1897).