Mateus 4

Almeida Antiga - IBC

Tentação de Jesus Cristo
1 Então Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo Diabo.
2 E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome.
3 Chegando a ele o tentador, disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães.
4 Mas ele lhe respondeu e disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus.
5 Então o Diabo o levou à cidade santa, colocou-o sobre um pináculo do templo,
6 e disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, atira-te abaixo, porque está escrito: Aos seus anjos dará ordens a teu respeito; e: eles te susterão nas mãos, para que nunca tropeces em alguma pedra.
7 Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus.
8 Novamente o Diabo o levou a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles;
9 e disse-lhe: Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares.
10 Então disse-lhe Jesus: Retira-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás.
11 Então o Diabo o deixou; e eis que vieram anjos e o serviram.

Jesus começa seu ministério

12 Ora, ouvindo Jesus que João fora lançado na prisão, retirou-se para a Galileia;
13 e, deixando Nazaré, foi habitar em Cafarnaum, situada à beira-mar, nos confins de Zebulom e Naftali;
14 para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías:
15 A terra de Zebulom e a terra de Naftali, o caminho do mar, além do Jordão, a Galileia dos gentios:
16 O povo que jazia em trevas viu grande luz, e, aos que estavam sentados na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz.
17 Desde então, Jesus começou a pregar e a dizer: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus.

A vocação dos discípulos

18 E Jesus, andando ao longo do mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores.
19 E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.
20 Então, eles imediatamente deixaram as redes e o seguiram.
21 Passando mais adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, no barco com seu pai Zebedeu, consertando as redes; e os chamou.
22 E eles imediatamente deixaram o barco e seu pai, e o seguiram.
23 E Jesus percorreu toda a Galileia, ensinando nas sinagogas deles, pregando o evangelho do reino, e curando toda sorte de doenças e toda sorte de enfermidades entre o povo.
24 E sua fama correu por toda a Síria; e lhe trouxeram todos os enfermos, acometidos de várias doenças e tormentos, e os endemoninhados, os lunáticos, e os paralíticos. E ele os curou.
25 E o seguiram numerosas multidões da Galileia, de Decápolis, de Jerusalém, da Judeia, e dalém do Jordão.

Referências Cruzadas

1 Mc 1:12; Lc 4:1; 1Rs 18:12; Ez 3:14; Ez 8:3; Ez 11:1;
Ez 11:24; Ez 40:2; Ez 43:5
4 Dt 8:3
5 Ne 11:1; Ne 11:18; Is 48:2; Ap 11:2
6 Sl 91:11; Sl 91:12
7 Dt 6:16
10 Dt 6:13; Dt 10:20
11 Hb 1:14
12 Mc 1:14; Lc 3:20
15 Is 9:1; Is 9:2
16 Is 42:7; Lc 2:32
17 Mc 1:14; Mc 1:15; Mt 3:2; Mt 10:7
18 Mc 1:16; Mc 1:17; Mc 1:18; Lc 5:2; Jo 1:42
19 Lc 5:10; Lc 5:11
20 Mc 10:28; Lc 18:28
21 Mc 1:19; Mc 1:20; Lc 5:10
23 Mt 9:35; Mc 1:21; Mc 1:39; Lc 4:15; Lc 4:44; Mt 24:14; Mc 1:14; Mc 1:34
25 Mc 3:7

1 O objetivo da retirada ao deserto. Foi para o deserto para estar sozinho, a fim de considerar Sua missão e obra (DTN 70.2)
O jejum de Moisés não foi como o de Cristo. No deserto da tentação, Cristo esteve sem alimento por quarenta dias. Moisés, em situações especiais, também ficou por um longo período sem alimentação. Mas ele não sentiu as angústias da fome. Não foi tentado e atormentado por um vil e poderoso inimigo como o foi o Filho de Deus. Estava acima do humano, especialmente mantido pela glória de Deus, a qual o envolvia (DT, 41).
1-4 O poder do apetite aviltado. Tudo foi perdido quando Adão se submeteu ao poder do apetite. O Redentor, em quem o humano e o divino estavam unidos, ficou no lugar de Adão e suportou um terrível jejum por quase seis semanas. A duração desse jejum é a mais forte evidência da grande pecaminosidade da família humana e do poder que o apetite aviltado exerce sobre o ser humano (DT, 45, 46).
Satanás ataca no momento de mais fraqueza. Enquanto permanecia no deserto Cristo jejuava, mas estava insensível à fome, empenhado em constante oração ao Pai como preparo para resistir ao adversário, Ele não sentiu a agonia da fome. Passou o tempo em fervorosa oração, a sós com Deus. Era como se Ele estivesse na presença de Seu Pai. Buscou forças para enfrentar o inimigo, buscou a certeza de que receberia graça para levar avante tudo o que havia empreendido em favor da humanidade. A ideia da luta diante de Si fez com que Ele Se esquecesse de tudo mais. Ele Se alimentou do pão da vida, assim como hoje as pessoas tentadas que vão a Deus em busca de auxílio serão também alimentadas. Ele Se nutriu da verdade que daria às pessoas, aquela que tem o poder de libertá-las das tentações de Satanás. Viu quebrar-se o poder de Satanás sobre os tentados e caídos. Viu a Si mesmo curando os enfermos, confortando os desesperançados, animando os desalentados e pregando o evangelho aos pobres, realizando a obra que Deus havia planejado para Ele; e não percebeu sensação nenhuma de fome até que Seus quarenta dias de jejum terminassem.
A visão se desvaneceu e então, com veemente desejo, a natureza humana de Cristo pediu comida. Agora foi a oportunidade para Satanás fazer seu ataque. Ele decidiu aparecer como um dos anjos de luz que haviam aparecido a Cristo em Sua visão (CT [IVlM 2002], 189; Carta 159, 1903).
A prova não é diminuída. Cristo sabia que o Pai Lhe supriria alimento, quando houvesse por bem. Nessa severíssima experiência, quando a fome O oprimiu em grau incalculável, Cristo não diminuiria prematuramente uma partícula que fosse da prova por que passava, exercendo Seu poder divino.
O ser humano caído, quando levado a apuros, não teria o poder de operar milagres em seu benefício, a fim de poupar-se da dor ou da angústia, ou para alcançar vitória sobre os inimigos. É propósito de Deus pôr à prova a raça humana, dando-lhe oportunidade de desenvolver o caráter, levando-a frequentemente a situações difíceis, a fim de lhe provar a fé e confiança em Seu amor e poder. A vida de Cristo foi um modelo perfeito. Ele sempre, por exemplo e preceito, ensinou que Deus é a fortaleza do crente e que nEle deve estar a fé e a confiança (ME1, 278).
3 Fingiu trazer alívio. Satanás apareceu a Cristo… como um formoso anjo do Céu, pretendendo haver sido comissionado por Deus para declarar que o jejum chegara ao fim. — The Review and Herald, 14 de Janeiro de 1909 (VA 171.5).
[Satanás] disse ao Redentor que não mais Lhe era necessário jejuar, que Sua longa abstinência fora aceita pelo Pai, que Ele já fora suficientemente longe, e que agora estava em liberdade para realizar um milagre em Seu próprio favor. — The Signs of the Times, 29 de Julho de 1889 (VA 172.1).

Raciocínio enganador. Satanás raciocinou com Cristo da seguinte maneira: Se as palavras proferidas após Seu batismo eram verdadeiramente as palavras de Deus, se Ele era o Filho de Deus, não precisava Ele suportar a sensação de fome; poderia dar provas de Sua divindade demonstrando Seu poder em transformar as pedras do desnudo deserto em pães.
Satanás disse a Cristo que Ele apenas precisava colocar os pés na trilha manchada de sangue, mas não necessitava transitar por ela. Assim como ocorrera com Abraão, Ele fora provado para demonstrar Sua fiel obediência. Declarou também que um anjo detivera a mão de Abraão quando já prestes a desferir o cutelo e matar Isaque, e que agora ele fora enviado para salvar a vida [de Cristo]; que não Lhe era necessário suportar a dolorosa fome e mesmo a morte por inanição; ele havia vindo para ajudar Cristo, desempenhando uma parte no plano da salvação. […]
Satanás insistiu em que Ele, se realmente era o Filho de Deus, deveria prover alguma evidência de Seu exaltado caráter. Sugeriu que Deus não permitiria a Seu Filho cair em tão deplorável situação. Declarou que um dos anjos fora expulso do Céu e enviado à Terra, e que a aparência de Cristo indicava que Ele era o tal anjo caído, e não o Rei dos Céus. Chamou a atenção para a sua própria fulgurante aparência, vestido de luz e poder, e insultuosamente contrastou o deplorável estado de Cristo com a sua própria glória (VA 173).

1-11 Todas as forças da apostasia arregimentadas. Nos concílios de Satanás, foi determinado que Ele [Cristo] tinha de ser derrotado. Nenhum ser humano tinha vindo ao mundo e escapado do poder do enganador. Todas as forças da confederação do mal foram postas em Seu rastro para se empenharem na luta contra Ele e, se possível, vencê-Lo. Foi posta a mais feroz e inveterada inimizade entre a semente da mulher e a da serpente. A própria serpente fez de Cristo o alvo de todas as armas do inferno. […]
A vida de Cristo era uma constante guerra contra os instrumentos de Satanás. O inimigo arregimentou todas as forças da apostasia contra o Filho de Deus. O conflito aumentava de intensidade e em malignidade, cada vez que a presa lhe era arrebatada das mãos. Satanás atacou a Cristo com todas as formas concebíveis de tentação (MG [MM 1974], 160; RH, 29/10/1895).
Não falhou em nenhum ponto. Cristo passou desta cena de glória [Seu batismo] para uma cena da mais forte tentação. Ele foi para o deserto, e ali Satanás O encontrou, tentando-O nos próprios pontos em que os homens serão tentados. Nosso Substituto e Penhor passou pelo terreno em que Adão tropeçou e caiu. E a questão era: Tropeçará Ele nos mandamentos de Deus e cairá, como Adão? Ele enfrentou os ataques de Satanás repetidamente com um “Está escrito”, e Satanás deixou o campo da luta como um inimigo derrotado. Cristo redimiu a vergonhosa queda de Adão e desenvolveu um caráter de perfeita obediência, deixando ao mesmo tempo um exemplo à família humana para que pudesse imitar o modelo divino. Houvesse Ele falhado em um só ponto quanto à lei de Deus e não haveria sido uma oferta perfeita, pois fora num ponto apenas que Adão falhara (PC [MM 1965], 32; RH, 10/06/1890).
As mentiras de Satanás para Cristo. Satanás disse a Cristo que Ele devia apenas colocar os pés na vereda sangrenta, mas não palmilhá-la; que, como Abraão, Jesus fora provado para mostrar Sua obediência perfeita. Declarou também ser o anjo que detivera a mão de Abraão quando este levantava o cutelo para sacrificar a Isaque, e que viera agora para Lhe salvar a vida; que não era preciso que suportasse a penosa fome nem a ela sucumbir; ele O ajudaria a realizar uma parte da obra do plano da salvação (ME1, 273).
Preciosos sinais de aprovação. Cristo parecia ignorar a afronta dos insultos de Satanás. Não Se deixou provocar no sentido de dar provas de Seu poder. Suportou mansamente os insultos sem revidar. As palavras do Céu, pronunciadas por ocasião de Seu batismo, eram muito preciosas para Ele, mostrando que Seu Pai aprovava os passos que dava no plano da salvação, como substituto e penhor do homem. Os céus abertos e a descida da pomba celestial eram garantias de que o Pai uniria Seu poder, no Céu, ao de Seu Filho na Terra, para salvar o ser humano do controle de Satanás, e de que Deus aceitara os esforços de Cristo para unir a Terra ao Céu, e o homem finito Àquele que é infinito.
Esses sinais, recebidos do Pai, foram muito preciosos ao Filho de Deus ao longo de todos os cruéis sofrimentos e do terrível conflito com o líder rebelde (ME1, 276).
Satanás não pôde hipnotizar a Cristo. Satanás tentou o primeiro Adão no Éden, e Adão arrazoou com o inimigo, dando-lhe assim a vantagem. Satanás exerceu o seu poder de hipnotismo sobre Adão e Eva, e tentou exercer esse poder sobre Cristo. Mas depois de ter sido citada a palavra da Escritura, Satanás soube que não teria oportunidade de triunfar (CT [MM 2002], 190).
O contraste entre os dois Adões. No Éden, quando foi assaltado pelo tentador, Adão estava sem a mancha do pecado. Subsistia diante de Deus na força de sua perfeição. Todos os órgãos e faculdades de seu ser achavam-se desenvolvidos uniformemente, equilibrados e harmônicos.
No deserto da tentação, Cristo ficou no lugar de Adão para suportar a prova a que este não resistiu. Ali Cristo venceu em lugar do pecador, quatro mil anos depois de Adão volver as costas à luz de seu lar. Separada da presença de Deus, a família humana, a cada geração sucessiva, estivera se afastando mais e mais da pureza, da sabedoria e do conhecimento originais, que Adão possuía no Éden. Cristo suportou os pecados e as limitações da raça humana como existiam por ocasião de Sua vinda à Terra para ajudar o ser humano. Em favor da raça, tendo sobre Si as fraquezas do homem caído, Ele devia resistir às tentações de Satanás em todos os pontos em que um ser humano é tentado. […]
Em que contraste Se acha o segundo Adão, ao adentrar o sombrio deserto para sozinho, lutar contra Satanás! Desde a queda, o gênero humano estivera a decrescer em tamanho e força física, baixando mais e mais na escala do valor moral, até ao período do advento de Cristo à Terra. E para elevar o homem caído, Cristo precisava alcançá-lo onde este se achava. Assumiu a natureza humana e arcou com as limitações e degenerescência da raça. Aquele que não conheceu pecado tornou-Se pecado por nós. Humilhou-Se até às mais baixas profundezas da miséria humana, a fim de que pudesse estar habilitado a alcançar o ser humano e tirá-lo da degradação na qual o pecado o lançara (ME1, 267, 268).
A mais severa disciplina. Manter Sua glória velada como filho de uma raça caída: esta foi a mais severa disciplina à qual o Príncipe da vida poderia Se sujeitar. Foi assim que Ele mediu forças com Satanás. Aquele que havia sido expulso do Céu lutava desesperadamente para obter o domínio sobre Aquele de quem tivera inveja nas cortes celestiais. Que batalha foi esta! Nenhuma linguagem é adequada para descrevê-la. Mas num futuro próximo ela será entendida por aqueles que vencerem pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho (Carta 19, 1901).
Poder à disposição. O Filho de Deus a cada passo era assaltado pelos poderes das trevas. Após o batismo, foi pelo Espírito levado ao deserto, onde por quarenta dias suportou a tentação. Tenho recebido cartas, afirmando que Cristo não podia ter tido a mesma natureza que o ser humano, pois, nesse caso, teria caído sob tentações semelhantes. Se não possuísse natureza humana, não poderia ter sido nosso exemplo. Se não fosse participante de nossa natureza, não poderia ter sido tentado tal como o ser humano. Se não fosse possível que Ele cedesse à tentação, não poderia ser nosso auxiliador. É uma solene realidade esta de que Cristo veio para ferir as batalhas como homem, em favor do homem. Sua tentação e vitória nos dizem que a humanidade deve copiar o modelo divino; o ser humano deve se tornar participante da natureza divina.
Em Cristo combinaram-se divindade e humanidade. A divindade não se degradou, para tornar-se humanidade; a divindade conservou seu lugar, mas a humanidade, pela união com a divindade, resistiu à mais feroz prova da tentação no deserto. O príncipe deste mundo se achegou a Cristo depois de Seu longo jejum, quando Ele estava no auge da fome e sugeriu a Ele que ordenasse às pedras que se tornassem em pães. Mas o plano de Deus, delineado para a salvação do ser humano, previa que Cristo conhecesse a fome, a pobreza e todos os aspectos da experiência humana. Ele resistiu à tentação, mediante o poder que o ser humano também tem à disposição. Ele Se apoiou no trono de Deus, e não há homem ou mulher que não possa ter acesso ao mesmo auxílio, pela fé em Deus. O crente pode se tornar participante da natureza divina; não há nenhuma pessoa que não possa solicitar o auxílio do Céu, quando tentada e provada. Cristo veio para revelar a fonte de Seu poder, a fim de que o ser humano não confiasse mais em suas capacidades desajudadas.
Os que desejam vencer devem empenhar ao máximo todas as faculdades de seu ser. Devem lutar, de joelhos diante de Deus, pedindo poder divino. Cristo veio para ser nosso exemplo e para nos revelar que podemos ser participantes da natureza divina. Como? Tendo escapado da corrupção das paixões que há no mundo. Satanás não alcançou a vitória sobre Cristo. Não pôde colocar o pé sobre o Redentor. Não atingiu a cabeça, se bem que tenha ferido o calcanhar. Cristo, por Seu exemplo, tornou evidente que o ser humano pode permanecer íntegro. É possível aos crentes ter poder para resistir ao mal; poder que nem a Terra nem a morte nem o inferno conseguem dominar; poder que os colocará onde possam vencer como Cristo venceu. Neles pode combinar-se a divindade e a humanidade (ME1, 408, 409).
As terríveis consequências da transgressão. A menos que haja a possibilidade de ceder, a tentação não é tentação. Ela é vencida quando o homem é fortemente tentado a cometer um mau ato; e, sabendo que pode praticá-lo, resiste, pela fé, com firme apego ao poder divino. Foi esta a provação pela qual Cristo passou. Ele não poderia ter sido tentado em todos os pontos em que o ser humano é tentado se não houvesse a possibilidade de ser vencido. Cristo era um agente livre colocado sob prova, como o foi Adão e como o é todo ser humano. Em Suas horas finais, quando pendia na cruz, experimentou em grau máximo o que o ser humano precisa experimentar quando luta contra o pecado; compreendeu quão mau o homem pode se tornar ao ceder ao pecado; compreendeu as terríveis consequências da transgressão da lei de Deus, pois a iniquidade do mundo todo estava sobre Ele (ME3, 132; YI, 20/07/1899).
Cristo, um agente moral livre. As tentações às quais Cristo foi submetido eram uma terrível realidade. Como livre agente moral, Ele foi posto à prova, com liberdade para ceder às tentações de Satanás e agir em oposição à vontade de Deus. Se assim não fora, se não fosse possível que Ele caísse, não poderia ter sido tentado em todos os pontos como a família humana é tentada (ME3, 131; YI, 26/10/1899).
Cristo sob prova. Durante um período, Cristo esteve sob prova. Ele tomou a humanidade sobre Si para enfrentar o teste e a prova em que o primeiro Adão fracassou. Se Ele tivesse fracassado nesse teste, teria sido desobediente à voz de Deus, e o mundo estaria perdido (ST, 10/05/1899).
3, 4. Não argumentar com Satanás. Conservem em mente que ninguém, exceto Deus, pode argumentar com Satanás (Carta 206, 1906).
4 Desvio mais prejudicial do que a morte. Ele disse a Satanás que, para prolongar a vida, a obediência aos requisitos de Deus era mais essencial do que o alimento temporal. Seguir uma conduta que se desviasse dos propósitos de Deus no mínimo grau seria mais prejudicial do que a fome ou a morte (Redemption: or The First Advent of Christ, 48).
5 Detalhes da segunda tentação. [O inimigo] ainda um anjo de luz. […] Pretende ter estado apenas provando a fidelidade de Jesus, louvando-Lhe agora a firmeza. Como o Salvador manifestou confiança em Deus, Satanás insiste com Ele para que dê outro testemunho de Sua fé. […]
Quando Satanás citou a promessa: “Aos Seus anjos dará ordens a Teu respeito” (Mateus 4:6), omitiu as palavras: “Para Te guardarem em todos os Teus caminhos” (Salmos 91:11), isto é, os caminhos escolhidos por Deus. Jesus recusou afastar-Se do caminho da obediência. Embora manifestando perfeita confiança no Pai, não Se colocaria numa posição em que o Pai fosse obrigado a interpor-Se para salvá-Lo da morte. Não forçaria a Providência a vir em Seu resgate, pois fracassaria assim em oferecer ao homem um perfeito exemplo de confiança e submissão (VA 175.2).

Invisível a olhos humanos. Houvesse Cristo Se atirado do pináculo do templo, não teria glorificado o Pai; ninguém haveria presenciado Sua ação, exceto Satanás e os anjos de Deus. Haveria levado o Senhor a revelar Seu poder diante do mais acérrimo inimigo. Haveria sido uma condescendência para com aquele a quem Jesus viera derrotar (VA 175.3).

5, 6 Quem pode resistir a um desafio? Jesus não Se colocaria em situação perigosa para agradar ao diabo. Mas quantos hoje são capazes de resistir a um desafio? (FF [MM 2005/1956], 211).
7 O que é presunção. Deus deu ao homem promessas preciosas sob condição de fé e obediência; estas, porém, não devem sustentá-lo em nenhuma ação precipitada. Se o homem desnecessariamente colocar-se no lugar do perigo, e for aonde Deus não quer que ele vá, expondo-se confiadamente ao perigo, contrariando os avisos da razão, Deus não fará nenhum milagre para libertá-lo. Não enviará Seus anjos para livrar a ninguém de ser queimado se escolhe colocar-se no fogo (DT 103.2).

8 Satanás se assume. Jesus saiu vitorioso da segunda tentação, e então Satanás se manifesta em seu verdadeiro caráter. Não se apresenta, todavia, como aquele horrível monstro de pés de cabra e asas de morcego. Embora decaído, é um poderoso anjo. Declara-se o líder da rebelião, e o deus deste mundo. […]
O grande enganador tentou cegar os olhos de Cristo com o brilho e resplendor do mundo, apresentando diante dEle os reinos deste mundo e sua glória. Aquele que caíra do Céu retratou este mundo como possuindo o resplendor do reino celestial, de modo a induzir Cristo a aceitar o suborno, prostrar-Se diante dele e o adorar.
A luz do Sol projeta-se sobre cidades cheias de templos, palácios de mármore, campos férteis e vinhas carregadas de frutos. Os vestígios do mal estavam ocultos. Os olhos de Jesus, cercados ultimamente de tanta tristeza e desolação, contemplam agora uma cena de inexcedível beleza e prosperidade. Ouve então a voz do tentador: [Lc 4:6-7] (VA 176.4).

8-10. Uma visão das verdadeiras condições. Ele [Satanás] pediu ao Salvador que Se curvasse ante sua autoridade, prometendo a Ele que, se o fizesse, os reinos do mundo seriam dEle. Apresentou a Cristo o sucesso que alcançara no mundo, enumerando os principados e potestades que lhe estavam sujeitos. Declarou que o que a lei de Yahweh não podia fazer, ele havia feito.
Mas Jesus disse: “Retira-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a Ele darás culto.” Isto foi para Cristo exatamente o que a Bíblia o declara ser: uma tentação. Ante Seus olhos, o tentador apresentou os reinos do mundo. Da maneira como Satanás os via, eles possuíam grande magnificência exterior. Mas Cristo os via sob um aspecto diferente, exatamente como eles eram: domínios terrenos sob o poder de um tirano. Ele via a humanidade cheia de misérias, sofrendo sob o poder opressor de Satanás; Ele via a Terra contaminada por ódio, vingança, malícia, concupiscência e homicídio. Ele via demônios de posse do corpo e da alma dos seres humanos (Ms 33, 1911).
10. A ordem obrigou Satanás a obedecer. Disse Jesus ao astuto inimigo: “Retira-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a Ele darás culto” (Mt 4:10). Satanás pedira a Cristo que lhe desse prova de ser Ele o Filho de Deus, e nesse incidente ele teve a prova que pedira. A ordem divina de Cristo, ele foi obrigado a obedecer. Foi repelido e silenciado. Não possuía poder que o habilitasse a resistir à imperiosa despedida. Foi compelido a, sem mais palavras, desistir imediatamente, e deixar o Redentor do mundo (ME1, 288).
10, 11 Jesus finalmente provou quem era. Satanás pôs em dúvida a filiação divina de Cristo. Na maneira por que foi sumariamente despedido, teve a irrefutável prova. A divindade irradiou através da humanidade sofredora. Satanás foi impotente para resistir à ordem. Torcendo-se de humilhação e raiva, foi forçado a retirar-se da presença do Redentor do mundo. A vitória de Cristo fora tão completa, como o tinha sido o fracasso de Adão (DTN 81.3).

11 Estandarte erguido. Todo o Céu presenciou o conflito entre o Príncipe da luz e o príncipe das trevas. Anjos estavam prontos a interpor-se em favor de Cristo, caso Satanás houvesse transposto os limites estabelecidos.
Essas foram tentações reais, não aparentes. Cristo “sendo tentado, padeceu”. Hebreus 2:18. Anjos do Céu se achavam na cena naquela ocasião, e mantiveram erguido o estandarte, para que Satanás não ultrapassasse seus limites e sobrepujasse a natureza humana de Cristo (VA 178.2).

Anjos O serviram.
Foi fortalecido com alimento, confortado com a mensagem do amor do Pai, e com a certeza de que todo o Céu triunfara com Sua vitória. Reanimado, Seu grande coração dilatou-se em simpatia para com o homem, e saiu para completar a obra que iniciara; para não descansar enquanto o inimigo não estivesse vencido, e nossa caída raça redimida (DTN 82.1).
Concílio para elaborar uma estratégia. Embora Satanás tivesse falhado em suas mais poderosas tentações, não havia abandonado todas as esperanças de conseguir, em algum momento futuro, ser bem-sucedido em seus esforços. Aguardava o período do ministério de Cristo, quando teria oportunidades de experimentar seus artifícios contra Ele. Frustrado e derrotado, mal se retirou da cena do conflito e já começou a fazer planos para cegar o entendimento dos judeus, o povo escolhido de Deus, a fim de que não discernissem em Cristo o redentor do mundo. Decidiu encher o coração deles de inveja, ciúmes e ódio para com o Filho de Deus, de forma que não O recebessem, mas tornassem Sua vida sobre a Terra a mais amarga possível.
Satanás realizou um concílio com seus anjos quanto ao procedimento que deveriam seguir a fim de impedir o povo de ter fé em Cristo como o Messias que os judeus há tanto haviam aguardado ansiosamente. Ficou desapontado e enraivecido pelo fato de não ter conseguido prevalecer contra Cristo em nada através de suas múltiplas tentações. Mas então pensou que, se pudesse inspirar no coração do próprio povo de Cristo a descrença em relação a ser Ele o prometido Redentor, conseguiria desanimar o Salvador em Sua missão e tornar os judeus seus agentes para executar seus vis propósitos.
Assim, começou a trabalhar em sua maneira útil, esforçando-se para efetuar, por meio de pia estratégia, o que não havia conseguido fazer pelo esforço pessoal direto (SP2,97,98).